Aniversário

365 dias a favor da diversidade

Núcleo criado pela Universidade Federal de Pelotas possibilita visibilidade às questões de gênero

Carlos Queiroz -

Há um ano, em janeiro de 2017, foi dado o primeiro passo para transformar a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) em um ambiente mais favorável às mulheres e à comunidade LGBT. O primeiro ano de trabalho do Núcleo de Gênero e Diversidade (Nugen) foi voltado a sua consolidação e divulgação junto à comunidade acadêmica e à sociedade em geral. Para os próximos, espera-se a aproximação do núcleo com os alunos e professores.

O Nugen estrutura-se em três eixos: usar a comunicação, inserir a temática nos currículos e criar uma ouvidoria para relatar casos de preconceito. O primeiro deles foi essencial para o trabalho desenvolvido em 2017. Eliane Pardo, coordenadora do núcleo, apostou no fortalecimento de vínculos junto a outras entidades que já possuem trabalhos na área. Para isso, buscou-se contato com o Conselho Municipal da Mulher, a Secretaria Municipal de Saúde, a Secretaria de Cultura, o Colégio Municipal Pelotense, alguns vereadores e Organizações Não Governamentais (ONGs).

A união com o Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul) também deu muito certo e foi essencial para a realização do primeiro Congresso de Gênero e Diversidade Sexual da UFPel. O evento foi um espaço para debater questões de gênero e divulgar a existência do Nugen. Eliane também caracteriza como um passo importante ao núcleo a aproximação com as funcionárias terceirizadas da universidade. Em novembro, o contrato da UFPel com a empresa terceirizada para qual trabalhavam estava prestes a expirar e era incerta a continuidade delas nos cargos. Como forma de ajudar, o núcleo realizou um brechó solidário e reverteu a renda a elas.

O próximo passo é inserir as discussões sobre gênero nos currículos. “Precisamos entrar nas salas de aula”. No ano passado, a própria Eliane criou uma disciplina-piloto denominada Corpo, Gênero e Sexualidade. A cadeira foi ofertada como optativa aos alunos de Educação Física. A expectativa é de que ela seja oferecida a todos os alunos da UFPel já neste ano. Serão três turmas abordando a temática.

Os servidores e alunos envolvidos no núcleo querem transformá-lo em um lugar que possa acolher as denúncias de assédio moral ou sexual e encaminhá-las ao órgão competente - sejam comissões permanentes ou até mesmo a Delegacia da Mulher. Uma parceria com o curso de Psicologia também está prevista. Neste caso, a ideia é criar um grupo de acolhimento às mulheres e à comunidade LGBT.

Objetivando transformar a UFPel em um lugar que respeite a diversidade sexual e de gênero, Eliane acredita na mudança de pensamento dos servidores e alunos. Nesse sentido, o núcleo buscará estar mais próximo das unidades acadêmicas. “Devemos atentar para a relação professor-aluna”, alerta, referindo-se aos casos de racismo e machismo, que são históricos na universidade.

Professora universitária há 27 anos, Eliane ainda tem uma meta a cumprir antes da aposentadoria. “Quero encerrar minha carreira deixando um Nugen forte”, afirma. Conscientizar a população acadêmica de que as opressões contra mulheres e LGBTs é um problema de toda a sociedade é fundamental, acredita.

O Núcleo de Gênero e Diversidade da UFPel é ligado à Coordenadoria de Inclusão e Diversidade da instituição. Funciona na Barroso, 1.202, sala 112.

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